Quinta-feira (que pra mim é sexta, pois amanhã rola um feriadinho bem pegado!), disparado o melhor dia da semana. Hoje vim falar quase sozinho (quase, porque sei que o amigo Tiago me lê) sobre o momento em que o cara perde a fé nas coisas.
Esses dias estava conversando sobre religião e sobre como isso influencia as pessoas, e cheguei a uma conclusão - pessoas aderem a uma religião pra terem algum motivo pra viver. Isso é errado? Claro que não! Pessoas fazem o mesmo com a bebida (fiz isso de um ano pra cá), com música (fazia isso quando era mais novo), com carros, com programação, enfim, com qualquer atividade. O que me chamou a atenção foi o fato de
precisarmos disso.
Qualquer bicho produzido pela mãe natureza só tem a finalidade de nascer, comer, reproduzir-se e morrer. Porque com a gente seria diferente? Não é! Estamos aqui de passagem. Tanto faz as faculdades e diplomas que temos, os tragos homéricos que tomamos e o quão bem tocamos algum instrumento. Tanto faz o amor que sentimos por outros, tanto faz ser importante, tanto faz se importar. Tanto faz considerar nosso gosto musical melhor, tanto faz se achar o sabidão por estudar uma coisa ou outra. Tanto faz.
Enfim, essa enrolação é pra dizer que quando o cara se liga nisso, acabou. Nascemos (por egoísmo dos nossos pais, que queriam ter um brinquedo a mais em casa), crescemos e vamos morrer. Não tem nada de especial nisso.
Já ouvi por aí que pessoas se agrupam e criam laços por necessidade e achei um absurdo. Quando parei pra pensar melhor e vi que isso é verdade, tudo perdeu a graça.
Como diria o cara do filme
Into the Wild, "happiness only real when shared". Ele se isolou de todo mundo como queria, fez o que queria e se fudeu morrendo no Alasca. Me dou a liberdade de viajar (afinal, esse é o meu blog) e dizer que essa frase não fala sobre solidão, e sim sobre insignificância e dependência. O cara deve ter caído na real que a existência dele é insignificante pra mãe natureza e que a única forma de seus feitos e sentimentos serem apreciados é ter humanos por perto pra ver e discutir isso. Nossos sentimentos dependem de outros humanos para ter valor.
O motivo da natureza (nascer, reproduzir e morrer) não é suficiente pra nós, racionais. Precisamos de algo a mais. Poderíamos definir felicidade como "Tenho algum motivo fake pra viver -
como religião, trago, casamento, trabalho ou qualquer outra coisa - e
estou vivendo de acordo com isso corretamente". Tudo o que sentimos é pequeno e inútil, simples assim.